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quarta-feira, 20 de junho de 2012

Um começo de amor

   Eram tão jovens. E já estavam apaixonado. Já estavam amando. Amavam em silêncio, mas amavam. Bastava se aproximar de qualquer um deles que já se notava o cheiro de amor exalando no ar. Eu realmente fico fascinada com essa capacidade de amor que os jovens tem, me deslumbra a forma com que eles passam a viver em prol disso.
   Muito se engana quem diz que a juventude é uma fase hostil para o amor. Discordo! Creio que ninguém ama como eles. Isso era notável só de se olhar para aquele jovem casal. Via-se corações vergonhosos, talvez com medo de se arriscarem ao desconhecido, ms cheios de amor.
  Talvez se verem juntos, um ao lado do outro, não passava de um sonho para aquelas almas apaixonadas. Talvez ter um ao outro era pedir de mais. Mas era amor e quando é amor tem de dar certo.
   Brigavam, choravam, esperneavam... sofriam! Mas quem ama não se aquieta, não se contenta com o sossego. Contenta-se com o amor. E o tempo não espera. Tempo de amor não se pode deixar escapar.
   E num dia já previsto pelo destino, como se fosse num sonho, eis que se unem duas almas, dois amores, dois corações. Que agora se tornam um só. Que agora abriam porta à felicidade e se dispunham a enfrentar juntos qualquer obstáculo no amor.

domingo, 3 de junho de 2012

Um Segundo de Loucura


Eu nunca imaginei fazer isso. Mas por uma fração de segundo, eu fiz. Eu desisti do amor. Justo eu, que tinha a visão mais incrível do mundo em relação ao amor, desisti. Doeu. Doeu tanto essa desistência. Mas que motivos eu tinha pra continuar investindo? Há tempos que eu já não sorria. Meu amor havia perdido sua essência. Meu amor havia me esquecido.
Jamais eu esqueceria o amor... o meu amor. Mas eu amor me esqueceu. Por quanto tempo eu passei despercebida, chorei sem ser notada, me matei por dentro e por fora. E quase ninguém viu. Meu amor não viu.
         Me debrucei numa carência que me envolvia por inteira. Carência de carinho, amor. Carência de abraço. É diferente você estar carente de abraço e estar carente de um determinado abraço. Mas eu nem me lembro qual foi a ultima vez que o amor me abraçou.
         O meu Amro já não era amor. Já não me fazia sentir amor. E com isso eu desisti. Não desisti porque cansei. Quem desiste do amor porque cansa, não ama de verdade. Eu desisti porque ele desistiu de mim, enjoou-se de mim. Acho que não amou. Não me amou. Talvez imaginou o amor, olhou pra mim e pensou que o era. Mas depois viu que se enganou.
         O amor me deu motivos suficientes para desistir, para eu perder a vontade de amar e viver pelo resto de minha vida. E foi o que me aconteceu. Perdi a vontade de viver e de amar. Principalmente a vontade de viver. Nessa fração de segundo em que eu desisti do amor, eu enxerguei um flash back de todo o tempo que amei. De tudo que passei, chorei e vivi. E vi que por mais que eu havia sofrido nada foi em vão. Eu tinha de enrijecer meu coração e pôr em mente que desistir do Amro era falta de amor próprio. Desistir era desaprender tudo que a vida havia me ensinado.
         E lá fui eu. Envolvida naquele sentimento enternecedor que me seduzia cada vez mais. E que a cada vez que me derrubava, me fazia levantar mil vezes mais forte, mais sábia, mais madura e com uma capacidade maior de entender o que é amor. O que é me sentir amor. Saber que o mesmo amor que te derruba vai te deixar em pé. Saber que o amor é humorista e muitas vezes vai brincar com você, por mais que a brincadeira não te faça rir e sim chorar.
         Lá fui eu. Disposta a me lembrar do amor que havia me esquecido. Disposta a me comprometer que não há tombo que me deixe no chão. E que não há ferida que ao se cure. Lá fui eu. Tirando da cabeça aquela idéia maluca de desistir de amar. Retomei em minha sã consciência e vi que a vida vai muito além do que a gente imagina que é. E que ainda há muito o que descobrir. Lá fui eu, investir mais uma vez no que eu sabia que me faria sofrer de novo. Mas muito além, me faria viver. Aprender. Lá fui eu, louca, amar de novo.
        Lá fui eu.

sexta-feira, 1 de junho de 2012

Asas


Fui tentar ser livre. Mas não deu. Uma gaiola gigante me reprimia por todos os lados. Me proibiram de voar. Não me deixaram ver o mundo lá fora. Eu nunca saía de lá, daquela gaiola enorme. Quando saía, me amarravam uma corda, pra controlar a distância em que eu voaria.
Eu tinha alguns amigos, poucos. Mas eram legais. Eles voavam. Eles eram pássaros livres, podiam ir além do que o horizonte me mostrava. Vez ou outra eles me visitavam na minha gaiola e, quando queríamos, voávamos um pouco. Mas não muito longe. Só até onde minha corda me deixava ir. Uma hora eles cansavam e iam voar sozinhos, sem a minha companhia. Mas eu entendia. Não podiam ficar amarrados a mim. O preso era eu, não eles.
Mas um dia.... ah, um dia! Não sei bem o que aconteceu. Eu - que fora sempre calmo, sereno, compreendendo tudo que me era imposto -, me revoltei contra Deus e o mundo. Emburrei, esperneei, gritei, chorei. Fiz tudo que um ser em crise emocional tinha direito a fazer. Era o ápice da minha revolta. Eu já possuía asas, lindas asas. Asas que ansiavam por conhecerem o céu. Asas perfeitas. Mas que não batiam. Asas que eram vistas com um olhar ainda de imperfeição. Como se não estivessem prontas para me fazerem voar. Voar alto. Bem alto.
Eu olhava aquele céu. Anil. Aquelas nuvens. Eu poderia tocá-las se me deixassem. Eu queria tocá-las. Eu queria voar tão alto que me perdesse da terra, repousar nas nuvens mais macias. Oh, meu Deus. Por que me impediam de voar? Por quê? Eu que sempre fui um pássaro admirável. Nunca deixei de cumprir com o me dizia respeito. E mesmo assim não era recompensado com a liberdade que tanto sonhei.
Algo havia de ser feito. Não nasci pra gaiola. Não sou condenado à prisão. Não me passa em mente fazer nada de errado. Quero apenas testar essas asas. Quero ver até onde posso voar. Quero mais pássaros para voar comigo. Quero criar um v no céu. Quero sair de bando em bando trazendo experiências. Quero errar, cair. Mas voar de novo.
Eu hei de sair dessa prisão. Verei de cima as árvores que me parecem enormes. Buscarei tocar no sol. Serei a sentinela da lua.
Quero voar. Quero viver. Bater asas.