Eram tão jovens. E já estavam apaixonado. Já estavam amando. Amavam em silêncio, mas amavam. Bastava se aproximar de qualquer um deles que já se notava o cheiro de amor exalando no ar. Eu realmente fico fascinada com essa capacidade de amor que os jovens tem, me deslumbra a forma com que eles passam a viver em prol disso.
Muito se engana quem diz que a juventude é uma fase hostil para o amor. Discordo! Creio que ninguém ama como eles. Isso era notável só de se olhar para aquele jovem casal. Via-se corações vergonhosos, talvez com medo de se arriscarem ao desconhecido, ms cheios de amor.
Talvez se verem juntos, um ao lado do outro, não passava de um sonho para aquelas almas apaixonadas. Talvez ter um ao outro era pedir de mais. Mas era amor e quando é amor tem de dar certo.
Brigavam, choravam, esperneavam... sofriam! Mas quem ama não se aquieta, não se contenta com o sossego. Contenta-se com o amor. E o tempo não espera. Tempo de amor não se pode deixar escapar.
E num dia já previsto pelo destino, como se fosse num sonho, eis que se unem duas almas, dois amores, dois corações. Que agora se tornam um só. Que agora abriam porta à felicidade e se dispunham a enfrentar juntos qualquer obstáculo no amor.
Se o mundo me dá razões para desistir, eu vou provar que sou capaz de mudar tudo isso, de transformar, de amar, de re-amar.
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quarta-feira, 20 de junho de 2012
domingo, 3 de junho de 2012
Um Segundo de Loucura
Eu
nunca imaginei fazer isso. Mas por uma fração de segundo, eu fiz. Eu desisti do
amor. Justo eu, que tinha a visão mais incrível do mundo em relação ao amor,
desisti. Doeu. Doeu tanto essa desistência. Mas que motivos eu tinha pra continuar
investindo? Há tempos que eu já não sorria. Meu amor havia perdido sua
essência. Meu amor havia me esquecido.
Jamais
eu esqueceria o amor... o meu amor. Mas eu amor me esqueceu. Por quanto tempo
eu passei despercebida, chorei sem ser notada, me matei por dentro e por fora.
E quase ninguém viu. Meu amor não viu.
Me debrucei numa carência que me
envolvia por inteira. Carência de carinho, amor. Carência de abraço. É
diferente você estar carente de abraço e estar carente de um determinado
abraço. Mas eu nem me lembro qual foi a ultima vez que o amor me abraçou.
O meu Amro já não era amor. Já não me
fazia sentir amor. E com isso eu desisti. Não desisti porque cansei. Quem
desiste do amor porque cansa, não ama de verdade. Eu desisti porque ele
desistiu de mim, enjoou-se de mim. Acho que não amou. Não me amou. Talvez
imaginou o amor, olhou pra mim e pensou que o era. Mas depois viu que se
enganou.
O amor me deu motivos suficientes para
desistir, para eu perder a vontade de amar e viver pelo resto de minha vida. E
foi o que me aconteceu. Perdi a vontade de viver e de amar. Principalmente a
vontade de viver. Nessa fração de segundo em que eu desisti do amor, eu
enxerguei um flash back de todo o
tempo que amei. De tudo que passei, chorei e vivi. E vi que por mais que eu
havia sofrido nada foi em vão.
Eu tinha de enrijecer meu coração e pôr em mente que desistir
do Amro era falta de amor próprio. Desistir era desaprender tudo que a vida
havia me ensinado.
E lá fui eu. Envolvida naquele
sentimento enternecedor que me seduzia cada vez mais. E que a cada vez que me
derrubava, me fazia levantar mil vezes mais forte, mais sábia, mais madura e
com uma capacidade maior de entender o que é amor. O que é me sentir amor.
Saber que o mesmo amor que te derruba vai te deixar em pé. Saber que o amor é
humorista e muitas vezes vai brincar com você, por mais que a brincadeira não
te faça rir e sim chorar.
Lá fui eu. Disposta a me lembrar do
amor que havia me esquecido. Disposta a me comprometer que não há tombo que me
deixe no chão. E que não há ferida que ao se cure. Lá fui eu. Tirando da cabeça
aquela idéia maluca de desistir de amar. Retomei em minha sã consciência e vi
que a vida vai muito além do que a gente imagina que é. E que ainda há muito o
que descobrir. Lá fui eu, investir mais uma vez no que eu sabia que me faria
sofrer de novo. Mas muito além, me faria viver. Aprender. Lá fui eu, louca,
amar de novo.
Lá fui eu.
sexta-feira, 1 de junho de 2012
Asas
Fui tentar ser
livre. Mas não deu. Uma gaiola gigante me reprimia por todos os lados. Me
proibiram de voar. Não me deixaram ver o mundo lá fora. Eu nunca saía de lá,
daquela gaiola enorme. Quando saía, me amarravam uma corda, pra controlar a
distância em que eu voaria.
Eu tinha alguns
amigos, poucos. Mas eram legais. Eles voavam. Eles eram pássaros livres, podiam
ir além do que o horizonte me mostrava. Vez ou outra eles me visitavam na minha
gaiola e, quando queríamos, voávamos um pouco. Mas não muito longe. Só até onde
minha corda me deixava ir. Uma hora eles cansavam e iam voar sozinhos, sem a
minha companhia. Mas eu entendia. Não podiam ficar amarrados a mim. O preso era
eu, não eles.
Mas um dia.... ah,
um dia! Não sei bem o que aconteceu. Eu - que fora sempre calmo, sereno,
compreendendo tudo que me era imposto -, me revoltei contra Deus e o mundo.
Emburrei, esperneei, gritei, chorei. Fiz tudo que um ser em crise emocional
tinha direito a fazer. Era o ápice da minha revolta. Eu já possuía asas, lindas
asas. Asas que ansiavam por conhecerem o céu. Asas perfeitas. Mas que não
batiam. Asas que eram vistas com um olhar ainda de imperfeição. Como se não
estivessem prontas para me fazerem voar. Voar alto. Bem alto.
Eu olhava aquele
céu. Anil. Aquelas nuvens. Eu poderia tocá-las se me deixassem. Eu queria
tocá-las. Eu queria voar tão alto que me perdesse da terra, repousar nas nuvens
mais macias. Oh, meu Deus. Por que me impediam de voar? Por quê? Eu que sempre
fui um pássaro admirável. Nunca deixei de cumprir com o me dizia respeito. E
mesmo assim não era recompensado com a liberdade que tanto sonhei.
Algo havia de ser
feito. Não nasci pra gaiola. Não sou condenado à prisão. Não me passa em mente
fazer nada de errado. Quero apenas testar essas asas. Quero ver até onde posso
voar. Quero mais pássaros para voar comigo. Quero criar um v no céu. Quero sair
de bando em bando trazendo experiências. Quero errar, cair. Mas voar de novo.
Eu hei de sair
dessa prisão. Verei de cima as árvores que me parecem enormes. Buscarei tocar
no sol. Serei a sentinela da lua.
Quero voar. Quero
viver. Bater asas.
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