Há poucos dias, sentada num banco de praça, sem nada a cumprir, eu apenas admirava o movimento ao meu redor. Observando tudo que se passava ao meu lado, me deparei com uma flor, sua beleza era imensa. Não era uma simples flor, sua beleza fazia com que se destacasse de suas demais companheiras de canteiro. Quanto a sua espécie, eu não sei qual era, nunca antes havia me deparado com tamanha riqueza de cores nítidas e um toque de suavidade, que parecia nos dar a sensação de conforto, numa mesma obra da natureza.
As pessoas que ali passavam apressadas, mal notavam se havia algo na praça, muito menos percebiam que a flor mais esbelta estava lá, rogando por um momento em que as pessoas fossem admirá-la.
De repente, voltando minha mente somente para a lindeza da flor, me bateu um desejo ímpeto de que a plantinha passasse os seus dias restantes na minha companhia. Quem sabe num lindo vaso d'água? Ou até mesmo eu pudesse replantá-la em meu jardim! Talvez estivesse partindo de mim um egoísmo. Fazer com que somente meus olhos pudessem contemplar aquela maravilha.
Olhei no relógio, estava já atrasada para uma reunião de trabalho. Resolvi deixar a flor em seu devido lugar. Mais tardar, já em casa, a lembrança da flor era vaga, já não se tornara mais algo estupendo. Fui me recolher para preparar-me novamente para mais um dia de trabalho.
Na manhã, ao sentar-se para o café, lembrei que na noite que se passara, havia sonhado com a flor. No sonho eu a levava para a casa. Quanto ao restante do sonho eu não me lembrava, algo ofuscava minha memória. Passei a manhã toda tentando me lembrar do sonho, mal conseguia permanecer atenta ao trabalho.
Assim que saí para o horário de almoço, decidi retornar à praça e, como no sonho, colher aquela flor. E assim foi feito.
Percorria o caminho de casa para lá cuidar da flor. De longe avistei um rapaz esbelto, galante. Eu nunca o tinha visto, mas a sensação que me tomava é que eu o conhecia desde meu primeiro instante neste mundo. Ao se aproximar de mim, percebo que seus olhos estão fixos na flor, parecia devorá-la com os olhos. Quando mais próximo, me parou e deixou transparecer todo seu entusiasmo pela flor. Conversas foram surgindo e, muito intimidado, me pediu para ficar com a flor. Nesse momento houve uma troca de olhares esplêndida das duas partes. Sem dizer uma só palavra - e sem desviar o olhar - eu lhe entreguei a flor e como um agradecimento ele me deu um beijo. Melhor não poderia ser, tinha sabor de paixão. Parecia um sonho, uma cópia de meu sonho. Magnífico. E então...
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