Chorou por vinte dias. Não imaginava que em seu corpo havia um estoque tão grande de lágrimas. Perdera um grande amor. Era seu primeiro amor, durou tão pouco e já o perderá. Esquecê-lo agora era sua missão mais difícil. Ainda mais que sua convivência com ele era completamente inevitável.
Por um tempo, ela sentiu raiva daquele que o abandonara, pois ele, em suas conversas, parecia alimentar algum tipo de esperança dentro daquele coração já estraçalhado. E, naquela mente ainda imatura, isso era um gesto covarde. Se a largara, que a deixasse em paz. O que ganharia cativando mais dor na alma daquela criança desiludida?
Vinte dias… Vinte dias inteiros regados à lágrimas. E ela o olhava com um olhar que misturava emoções incríveis. Sentia ainda, dentro do seu peito, um amor enorme. Uma grande vontade de tomá-lo em seus braços. Mas também uma vontade de vê-lo morto. Por quê? Por que a abandonara? Justo ele que lutou tanto por aquele amor. Será que ela o decepcionara? Será que ela não era aquilo que ele imaginou? Mas se a amasse, ele a aceitaria como fosse. Então não amava? Mil perguntas destruíam sua mente.
Mas agora não. Vinte dias se passaram e agora eles estavam juntos de novo. Ele quis de novo. Talvez tenha se arrependido de tê-la deixado. Se quis voltar, se depois de vinte dias ele ainda quis voltar, é porque ela fez falta. Dentro do coração dela não cabia mais felicidade. Tinha de volta seu amor, seu grande amor. Mas mesmo assim ela ainda estava confusa. Se ele largou uma vez, o que lhe daria garantia de que não a largaria novamente? O que lhe provaria que dali a algum tempo ela não estaria de novo nos prantos do desamor? Nada. Nada nesse momento era capaz de lhe provar isso. Mas ela, com aquele jeitinho de amar único e especial que possuía não deu muita bola pra isso. Preferiu amá-lo. Amar. Só amar.
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