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domingo, 1 de julho de 2012

“De repente toda mágica se acabou”


“De repente toda mágica se acabou”, dizia a música. “De repente toda mágica se acabou”, eu ouvia. “De repente toda mágica se acabou”, eu percebia.
            E já não via mesmo mais mágica. Toda essência desse amor havia se acabado. E isso é tão triste. Foi algo tão intenso, tão forte dentro de mim para acabar assim. E a mágica acabou sabe-se lá por quê. Talvez por falta de doação. Um amor precisa receber atenção das duas partes.
            Eu me doei de mais. E talvez o erro fosse ter esperado receber também. “De repente toda mágica se acabou” e eu me acabei junto. Por muito tempo eu amei de mais e pouco fui amada. Por muito tempo eu vivi esse amor enquanto outros deixava ele morrer. E eu morri junto. Cheguei a um ponto que não consegui mais me segurar. Explodi. Enchi os ouvidos de meus amigos com minhas ladainhas amorosas. Mas era preciso desabafar. Cansei de viver um amor ioiô, um amor vai e volta. Eu precisava de algo que me desse segurança, que eu me sentisse ser amada.
            Será que algum dia eu nos veria juntos, felizes? Eu sou capaz de tudo, tudo mesmo para não deixar que a mágica se acabe. Eu te amei tanto. Eu chorei tanto. E me dói tanto ver que não há mais mágica, que agora é só ilusão.
            “De repente toda mágica se acabou” e eu vi o meu amor se acabando junto. Eu vi meus sonhos, meus sorrisos, minhas esperanças se acabando. Eu vi meu amor virando só um capítulo na minha vida, um capítulo que se encerrava. Mas eu queria que fosse o livro da minha vida, a minha história de amor, meu romance, meu conto de fadas. Eu precisava apenas de você do meu lado. Mas não sei o porquê de tudo ser tão complicado.
            “De repente toda mágica se acabou”. Mas não era pra ser assim, não era pra estar acabado. Eu te amo. Por favor, não vá. Eu sei o que você guarda dentro desse seu coração, tenho noção dos meus erros e culpas. Mas sei que você não se sente à vontade quando se fala de nós. Eu sei que a ferida ainda dói em você. Eu sei que tá machucado, que ta doendo.           
            “De repente toda mágica se acabou” e acabou junto a vontade de viver.         

Amor de nobreza


            Havia um príncipe. Lindo. Cabelos negros e olhos verdes, como daquelas águas de mares distantes. Era realmente um príncipe. Possuidor de uma educação divina, romântico, encantador.
            Havia um sapo. Peçonhento. Ríspido. Não tinha aparência de príncipe. Era um sapo normal. Sem muitos encantos, sem muita magia. Era apenas um sapo qualquer.
            Havia uma princesa. Linda. Cabelos castanhos e brilhantes como ouro. Ela era realmente encantadora. Meiga. De um coração nobre. Era realmente digna de ser chamada de princesa.
            Nesse triângulo havia um amor. O príncipe apaixonado pela princesa. A princesa apaixonada pelo sapo. E o sapo não sabia amar a princesa.
            Depois de mais de um ano sem ver a princesa, o príncipe já havia desistido de tê-la. Ainda mais que ela era de um reino distante. E a princesa já estava desistindo do sapo. Sim, ele era um sapo. Jamais a trataria da mesma forma que o príncipe a tratou, era só um sapo. Mas ela não se importava, o aceitava como era não ligava para a sua aparência ou seu modo plebeu de agir. Ela o amava, mas ele a tratava com desdém. Ela seria capaz de dar a vida por ele, mas ele não movia uma palha por ela. Ele parecia não saber que ao seu lado estava uma princesa, parecia não dar valor, não à sua nobreza, mas ao seu amor.
            Pobre princesa! De tanto chorar pelo sapo, pensava em retornar ao príncipe. Ao menos ele a amava. Não era como o sapo, que dizia amar, mas fazia chorar.

quarta-feira, 20 de junho de 2012

Um começo de amor

   Eram tão jovens. E já estavam apaixonado. Já estavam amando. Amavam em silêncio, mas amavam. Bastava se aproximar de qualquer um deles que já se notava o cheiro de amor exalando no ar. Eu realmente fico fascinada com essa capacidade de amor que os jovens tem, me deslumbra a forma com que eles passam a viver em prol disso.
   Muito se engana quem diz que a juventude é uma fase hostil para o amor. Discordo! Creio que ninguém ama como eles. Isso era notável só de se olhar para aquele jovem casal. Via-se corações vergonhosos, talvez com medo de se arriscarem ao desconhecido, ms cheios de amor.
  Talvez se verem juntos, um ao lado do outro, não passava de um sonho para aquelas almas apaixonadas. Talvez ter um ao outro era pedir de mais. Mas era amor e quando é amor tem de dar certo.
   Brigavam, choravam, esperneavam... sofriam! Mas quem ama não se aquieta, não se contenta com o sossego. Contenta-se com o amor. E o tempo não espera. Tempo de amor não se pode deixar escapar.
   E num dia já previsto pelo destino, como se fosse num sonho, eis que se unem duas almas, dois amores, dois corações. Que agora se tornam um só. Que agora abriam porta à felicidade e se dispunham a enfrentar juntos qualquer obstáculo no amor.

domingo, 3 de junho de 2012

Um Segundo de Loucura


Eu nunca imaginei fazer isso. Mas por uma fração de segundo, eu fiz. Eu desisti do amor. Justo eu, que tinha a visão mais incrível do mundo em relação ao amor, desisti. Doeu. Doeu tanto essa desistência. Mas que motivos eu tinha pra continuar investindo? Há tempos que eu já não sorria. Meu amor havia perdido sua essência. Meu amor havia me esquecido.
Jamais eu esqueceria o amor... o meu amor. Mas eu amor me esqueceu. Por quanto tempo eu passei despercebida, chorei sem ser notada, me matei por dentro e por fora. E quase ninguém viu. Meu amor não viu.
         Me debrucei numa carência que me envolvia por inteira. Carência de carinho, amor. Carência de abraço. É diferente você estar carente de abraço e estar carente de um determinado abraço. Mas eu nem me lembro qual foi a ultima vez que o amor me abraçou.
         O meu Amro já não era amor. Já não me fazia sentir amor. E com isso eu desisti. Não desisti porque cansei. Quem desiste do amor porque cansa, não ama de verdade. Eu desisti porque ele desistiu de mim, enjoou-se de mim. Acho que não amou. Não me amou. Talvez imaginou o amor, olhou pra mim e pensou que o era. Mas depois viu que se enganou.
         O amor me deu motivos suficientes para desistir, para eu perder a vontade de amar e viver pelo resto de minha vida. E foi o que me aconteceu. Perdi a vontade de viver e de amar. Principalmente a vontade de viver. Nessa fração de segundo em que eu desisti do amor, eu enxerguei um flash back de todo o tempo que amei. De tudo que passei, chorei e vivi. E vi que por mais que eu havia sofrido nada foi em vão. Eu tinha de enrijecer meu coração e pôr em mente que desistir do Amro era falta de amor próprio. Desistir era desaprender tudo que a vida havia me ensinado.
         E lá fui eu. Envolvida naquele sentimento enternecedor que me seduzia cada vez mais. E que a cada vez que me derrubava, me fazia levantar mil vezes mais forte, mais sábia, mais madura e com uma capacidade maior de entender o que é amor. O que é me sentir amor. Saber que o mesmo amor que te derruba vai te deixar em pé. Saber que o amor é humorista e muitas vezes vai brincar com você, por mais que a brincadeira não te faça rir e sim chorar.
         Lá fui eu. Disposta a me lembrar do amor que havia me esquecido. Disposta a me comprometer que não há tombo que me deixe no chão. E que não há ferida que ao se cure. Lá fui eu. Tirando da cabeça aquela idéia maluca de desistir de amar. Retomei em minha sã consciência e vi que a vida vai muito além do que a gente imagina que é. E que ainda há muito o que descobrir. Lá fui eu, investir mais uma vez no que eu sabia que me faria sofrer de novo. Mas muito além, me faria viver. Aprender. Lá fui eu, louca, amar de novo.
        Lá fui eu.

sexta-feira, 1 de junho de 2012

Asas


Fui tentar ser livre. Mas não deu. Uma gaiola gigante me reprimia por todos os lados. Me proibiram de voar. Não me deixaram ver o mundo lá fora. Eu nunca saía de lá, daquela gaiola enorme. Quando saía, me amarravam uma corda, pra controlar a distância em que eu voaria.
Eu tinha alguns amigos, poucos. Mas eram legais. Eles voavam. Eles eram pássaros livres, podiam ir além do que o horizonte me mostrava. Vez ou outra eles me visitavam na minha gaiola e, quando queríamos, voávamos um pouco. Mas não muito longe. Só até onde minha corda me deixava ir. Uma hora eles cansavam e iam voar sozinhos, sem a minha companhia. Mas eu entendia. Não podiam ficar amarrados a mim. O preso era eu, não eles.
Mas um dia.... ah, um dia! Não sei bem o que aconteceu. Eu - que fora sempre calmo, sereno, compreendendo tudo que me era imposto -, me revoltei contra Deus e o mundo. Emburrei, esperneei, gritei, chorei. Fiz tudo que um ser em crise emocional tinha direito a fazer. Era o ápice da minha revolta. Eu já possuía asas, lindas asas. Asas que ansiavam por conhecerem o céu. Asas perfeitas. Mas que não batiam. Asas que eram vistas com um olhar ainda de imperfeição. Como se não estivessem prontas para me fazerem voar. Voar alto. Bem alto.
Eu olhava aquele céu. Anil. Aquelas nuvens. Eu poderia tocá-las se me deixassem. Eu queria tocá-las. Eu queria voar tão alto que me perdesse da terra, repousar nas nuvens mais macias. Oh, meu Deus. Por que me impediam de voar? Por quê? Eu que sempre fui um pássaro admirável. Nunca deixei de cumprir com o me dizia respeito. E mesmo assim não era recompensado com a liberdade que tanto sonhei.
Algo havia de ser feito. Não nasci pra gaiola. Não sou condenado à prisão. Não me passa em mente fazer nada de errado. Quero apenas testar essas asas. Quero ver até onde posso voar. Quero mais pássaros para voar comigo. Quero criar um v no céu. Quero sair de bando em bando trazendo experiências. Quero errar, cair. Mas voar de novo.
Eu hei de sair dessa prisão. Verei de cima as árvores que me parecem enormes. Buscarei tocar no sol. Serei a sentinela da lua.
Quero voar. Quero viver. Bater asas. 

segunda-feira, 14 de maio de 2012

Ela: O que há de errado com você?
Ele: Eu tô sem você.
Ela: É, mas isso foi uma decisão sua.
Ele: Eu errei, pensei que poderia ser mais forte que o amor.

Ele: Como era sua vida antes de me conhecer?
Ela: Cinza. Sem graça.
Ele: E o que você fazia antes de me conhecer?
Ela: Esperava ansiosa pela sua chegada.
Não vou aceitar ser feliz só no fim. Quero aproveitar enquanto nada está acabado.
E, pra mim, passar vinte dias tendo de me acostumar com a ideia de que já não era mais meu, foi pior que passar um ano na angústia de saber se seria meu algum dia.

Vinte dias


Chorou por vinte dias. Não imaginava que em seu corpo havia um estoque tão grande de lágrimas. Perdera um grande amor. Era seu primeiro amor, durou tão pouco e já o perderá. Esquecê-lo agora era sua missão mais difícil. Ainda mais que sua convivência com ele era completamente inevitável.
   Por um tempo, ela sentiu raiva daquele que o abandonara, pois ele, em suas conversas, parecia alimentar algum tipo de esperança dentro daquele coração já estraçalhado. E, naquela mente ainda imatura, isso era um gesto covarde. Se a largara, que a deixasse em paz. O que ganharia cativando mais dor na alma daquela criança desiludida?
   Vinte dias… Vinte dias inteiros regados à lágrimas. E ela o olhava com um olhar que misturava emoções incríveis. Sentia ainda, dentro do seu peito, um amor enorme. Uma grande vontade de tomá-lo em seus braços. Mas também uma vontade de vê-lo morto. Por quê? Por que a abandonara? Justo ele que lutou tanto por aquele amor. Será que ela o decepcionara? Será que ela não era aquilo que ele imaginou? Mas se a amasse, ele a aceitaria como fosse. Então não amava? Mil perguntas destruíam sua mente.
Mas agora não. Vinte dias se passaram e agora eles estavam juntos de novo. Ele quis de novo. Talvez tenha se arrependido de tê-la deixado. Se quis voltar, se depois de vinte dias ele ainda quis voltar, é porque ela fez falta. Dentro do coração dela não cabia mais felicidade. Tinha de volta seu amor, seu grande amor. Mas mesmo assim ela ainda estava confusa. Se ele largou uma vez, o que lhe daria garantia de que não a largaria novamente? O que lhe provaria que dali a algum tempo ela não estaria de novo nos prantos do desamor? Nada. Nada nesse momento era capaz de lhe provar isso. Mas ela, com aquele jeitinho de amar único e especial que possuía não deu muita bola pra isso. Preferiu amá-lo. Amar. Só amar.
Você não nasce sabendo perdoar.O


 amor te ensina a fazer isso.

Você me pediu um tempo. Um tempo pra pensar, um tempo pra organizar seus pensamentos, um tempo pra não fugir. Eu vou lhe dar esse tempo. Eu estou lhe dando esse tempo. Não sei como você enxerga isso tudo, qual seu ponto de vista nesta situação. Eu já disse: por mim está tudo bem. Do melhor jeito possível.
Deixa eu te pedir uma coisa agora: não foge, não. Não some de mim, não. Não precisa ser sim. Não precisa acabar assim. Você me diz que pra você vai ser difícil e eu entendo. Mas você acha que está sendo fácil pra mim? Você acha que eu estou mostrando um sorriso que vai de uma orelha à outra com toda essa loucura que está nos cercado agora? Cara, não importa se o erro foi seu ou não. Importa que eu estou aqui, dando todo o meu perdão pra você. Então não foge, não suma, não vá embora. Eu estou aqui. Bem aqui, na sua frente.
Para um pouco, pensa. Olha bem aqui, dentro dos meus olhos e me responda se não vai ser muito melhor se a gente resgatar o que ficou de bom.
Sinto muito, mas você me cativou e “tu te tornas eternamente responsável por aquilo que cativas”.
Aproveita esse tempo e pense em nós. Você quer que valha a pena, mas faça valer a pena, porque eu já estou fazendo.

segunda-feira, 2 de janeiro de 2012

Bailarina

   E ela dançava serena, sozinha. Em seu palco inundado por sapatilhas. Ela dançava singela, emotiva, carente. Com sua roupa branca como algodão, um titi brilhante e uma sapatilha de gesso já desgastado. E deslizava pra lá... pra cá. Sem plateia, sem soldado.
   Era algo a mais que uma dança. Era o modo que ela havia encontrado para expressar seus sonhos. E sonhava. E expressava. Sem plateia, sem soldado. Sem soldado!
   Em cada deslizar que dava ia afastando do centro de seu palco as sapatilhas diversas. E como a pobre bailarina caía. Doía o tombo no coração, mas doía dor de amor. Depois de alguns segundos de choro, ela sempre levantava. Sabia que a música não parava. Retomava sua dança nas pontas já doloridas e calejadas. E dançava. Dançava num impulso forte de fazer até grand jete sem muito esforço. Dançava numa leveza que parecia sair do chão. Dançava bruta, dançava triste.
   Ouvia seu coração pulsar no toque da música. Nesse momento o que ecoava no auditório era a doce melodia do Lago dos Cisnes. Mas não era esse seu repertório preferido. Ela se encantava no Soldado de Chumbo. Mas não tinha nenhum pra ela. Nem plateia tinha, quanto mais soldado. Mas dançava como se tivesse, bem ao seu lado. Ao fechar os olhos podia vê-lo ao seu lado. Num padedê de dar gosto.
   E dançava de olhos fechados. Se os abrissem ele não estaria mais lá. Dançava de olhos fechados. Saltava, caía, chorava, levantava, pulava... sonhava. Sentia saudade da época em que realmente dançava com seu solado. A verdade é que essa época nunca existira e ela jamais dançara com seu soldado. Mas sonhava. E dos sonhos batia a saudade.
   Mas chega o dia em que ela abre os olhos e percebe  alguém em sua plateia. Havia ali um caro homem. Vistoso, galante. Sim, era sim o Soldado que ela tanto sonhou, tanto esperou. Ele andava em direção ao palco. Subia as escadas na maior paciência que a bailarina já vira. Ele segurou uma de suas mãos e deixou escapar algumas palavras:
   _ Eis aqui o teu soldado. Prometo ser teu forte, tua base, o gesso que sustenta tamanha formosura. Eis aqui o teu amado, aquele que sonhava com o dia deste encontro. Posso dizer-te uma coisa: sou mesmo um soldado de chumbo, mas carrego aqui dentro dessa armadura um coração mole. Coração esse que é só teu, ó, estrela de meus musicais. Arrisco viajar a qualquer palco do muno, desde que eu esteja acompanhado de tua doce presença. Ao teu lado, vou à Brodway ou ao Bolshoi no tempo de um Pa de Chat. Eis aqui o teu amado.
   E sem reação ela o admirava. Uma lágrima quase despercebida saiu rolando em sua face pintada de branco. E compreendendo a ausência de palavras da jovem, ele se levantou, fez com que dançassem a música - que no momento era do repertório de Esmeralda - e finalizados num panchè ele a presenteia com um beijo.
   Agora a pobre bailarina tem seu soldado de chumbo, não precisa mais fechar os olhos para sentir sua presença. Ela apenas dança e dança.

Menina

   Era quase um sonho. Ela vivia meio perdida, não sabia voltar aos caminhos que já tinha passado. Não percebia que tinha que traçar seus próprios caminhos, que andar pelos caminhos traçados a levaria somente onde os outros chegaram, como diria o poeta.
   Se preocupava demais com o tempo, queria o que queria rápido demais. Deixava a pressa acabar com a emoção do momento. Tinha medo. Medo de não dar certo. Medo de dar certo. Talvez nem fosse medo, talvez fosse só uma insegurança. Reação do frio na barriga que sentia só de pensar no nome dele.
   Ela já tinha crescido, não via mais graça em suas bonecas, havia trocado seus livros ilustrados de contos de fadas pelos livros da escola e pelos romances de seus autores preferidos. Já não acreditava mais que o amor da sua vida a buscaria em seu cavalo branco, acreditava que o amor da sua vida era ele, com seus defeitos e qualidades, com o dom que ele possuía de alegrar o seu dia e de acabar com o seu humor em um instante. Acreditava nele, confiava nele.
   Ela queria um presente, ele queria dar o presente. Mas parecia cedo demais para receber o presente. Nunca dava certo. Dava quase certo. Ela só queria um beijo. Estabelecia metas, prazos. Mas nunca dava certo. Só dava quase certo.
   Parecia incomodada com a demora. E se sentia nervosa quando estava prestes a acontecer alguma coisa. Deve ser sintomas do amor. Ah, esse tal de amor. Deixava a vida dela de cabeça para baixo. E ela amava isso. Ela odiava isso. Ela mal sabia o que era isso. Mas vivia disso. Vivia sorrindo. Vivia chorando. Mas vivia disso.
   Ela havia se tornado uma menina muito emotiva. Chorava muito, chorava por qualquer coisa. Culpa dele. Chorava por ele. Tinha medo dele. Medo de perde-lo. Ela havia se esquecido como se vivia sem ele, sem falar no nome dele. Sem contar histórias dele. Ela vivia dele.
   Ela ainda era só uma menina, mas já vivia do amor. Do amor dele.
   Ela vivia.
   Ela vivia por ele.
   Ela vivia por causa do amor dele.


Desejos de uma adolescente apaixonada

   Você não quer muita coisa. Você quer coisas simples, pequenas, mas que fazem a diferença. Você quer coisas que talvez ele nem saiba que são tão importantes para você.
   Você dispensa qualquer loucura de amor, qualquer coisa grande demais. Você quer coisas tão pequenas que podem até passar despercebidas, mas que pra você é algo imenso.
   Você quer acordar de manhã com uma mensagem de bom dia no seu celular, quer que ele te abrace e segure a sua mão. Quer que ele te mande mensagens de madrugada dizendo que estava sonhando com você. Quer que ele te ligue a tarde pra dizer que estava pensando em você.
   Você quer que ele fique mexendo em seu cabelo. Que ele ria de você quando você ficar vermelha. Que ele te dê um beijo na testa, te abrace bem forte e cochiche em seu ouvido que você é o mundo dele.
   Você ama a timidez dele. E ele ama a sua. Talvez não saiba demonstrar, mas você sabe que ele ama. E você não desiste de insistir nas coisas simples, você não desiste. Ainda há fé de que vai dar certo, de que coisas simples se tornarão grandes.





Uma conversa com o amor

   Olá, amor. Precisamos conversar seriamente. Ultimamente você não anda me fazendo muito bem. Responda-me, sinceramente, amor: que mal eu fiz a você? A não ser que me falhe a memória, não me lembro de faltar com a gentileza, muito menos reclamar de você.
   Porém, ultimamente, amor, quando falo em você me encontro em prantos e não mais em suspiros. Convenhamos, você não foi criado para desiludir seus crédulos. Pelo contrário, é mais que sua obrigação fazer com todos queiram amar.
   Acho que essa história de amor não é mesmo para os fracos. E ser forte nunca foi o meu forte. Sim, sou fraca, confesso. E já penso em desistir de você, amor. Não vejo mais prazer em viver largada pelos cantos, em crises e choros, pensando em tudo que não aconteceu e em tudo que poderia ter acontecido.
   Não suporto mais sua gracinhas, amor. Com o coração não se brinca. E por falar em coração, o meu está fechado para qualquer ser que tente romper esse elo que fiz comigo mesma. Elo este que não permite que eu me apaixone novamente. Não quero que esse capítulo triste se repita no livro da minha vida. Você, amor, não fez muita coisa além de romper a fé que eu tinha em você.


quarta-feira, 26 de outubro de 2011

Explicando o Amor

   Comecei a tentar explicar as emoções mais inexplicáveis. Comecei a tentar decifrar sentimentos que talvez nenhum poeta tentasse explicar assim. Eu sabia que não iria chegar a nenhuma conclusão concreta, mas tentei.
   Vou confessar, por mais que nada disso ecoe em seu coração, eu vou dizer: me inspirei em você.
   Eu tentei explicar o amor. Não ria seu bobo! Eu sei que parece loucura, mas ao menos eu tentei. Não cheguei mesmo a uma resposta final, mas isso me fez enxergar coisas tão pacíficas. Essa busca toda me serviu de aprendizagem.
   Sabe, reparei em você um coração ermo de sentimentos. A não ser que algo impeça você de revelar tudo o que acontece em seu interior. Essa multiplicidade de sentimentos que vem nos atacando, às vezes, interfere mesmo no nosso modo de agir.
   Mas chega de falatório sobre você, vamos voltar ao amor. Descobri que ninguém consegue decifrar o amor porque ninguém ama igual. O amor é diferente de cada pessoa. Então, não há como eu falar de um amor que não seja o meu. No muito, o nosso. Vamos lá, vou tentar explicar.
   Você já sentiu aquela necessidade de ter a pessoa ao teu lado? Que já não se imagina sem precisar do outro? E com isso você já perde a tradução da palavra saudade, porque a saudade já não se explica mais.
   Amor... amor é se sentir sem coração se o vê com outra. Ciúme. Tá no pacote do amor. Se não é a pessoa amada para dar um grande motivo, uma grande razão pra viver, não é mais ninguém.
   Amor é mais que querer estar perto. É querer estar junto. Amor é sair correndo com uma faca na mão, mas não dar o golpe, dar um beijo. O amor não cobra, não compara, o amor espera. Sim, é verdade, o amor espera. Mas espera o quê? Espera quem? Não sei! Só espera. Talvez goste de esperar. Talvez espere apenas que ele te diga algo. Mas o quê? Sonhe, talvez. Amo-te, quem sabe.
   O amor não deixa preso, mas liberta. Às vezes, dói um pouco, né? Dói ver ele indo embora com uma que não seja eu. Mas o amor diz: "Vá sem medo e não se preocupe comigo. Eu vou encontrar alguém como você. Só não me esqueça de mim, eu peço."
   Mas esse amor peralta, sempre nos pregando peças. Você sabe, né, como são essas coisas? Esses dias eu não queria ver você, fingia não me importar. Mas era só uma tentativa de fugir do amor. Tentativa essa que não deu certo.
   Me apaixonei, entende? Me apaixonei pelo amor, me apaixonei por você. Me apaixonei pelas suas qualidades, pelos seus defeitos, pela sua presença - pois se te vejo de um lado, me oriento do outro.
   Pode até não parecer, mas não é tão fácil pra mim  falar de amor. Às vezes, penso que seria melhor guardar os sentimentos pra mim do que compartilhar com o mundo. Mas vejo nisso um certo egoísmo. Ou não.Talvez egoísmo seja querer você só pra mim. Ou talvez nem egoísmo isso seja, talvez seja tolice. 
   Só há uma chance para que possamos amar de verdade. E quando jogamos essa chance ao vento, arrepender-se não adianta mais. O melhor amor que tem é aquele que começamos do zero, creio que viver um amor cheio de planos não vá muito adiante, as coisas não acontecem como planejamos.
   Talvez explicar o amor, explicar tudo o que se passa, todos os sentimentos seja mesmo uma loucura. Mas algumas loucuras valem a pena. Queria poder te explicar tudo com mais precisão, mas não posso, não consigo. E também, quem seria eu para poder entender com precisão o sentimento mais perfeito do mundo?
   Pode ser essa mesma a palavra certa para explicar o amor, perfeito. Com todos os seus defeitos e qualidades, o amor é perfeito. E o perfeito não se explica, apenas se vive.
   Acho que terminei. Esse papo todo de amor me deixou meio cansada, melancólica também. Agora, meu velho amigo, se nada disso adiantou, se mesmo assim você não conseguiu entender muita coisa, dou-lhe um conselho: viva, apenas viva. Um dia você vai encontrar alguém que te faça sentir uma coisa que você não vai conseguir explicar, mas mesmo assim vai entender o que é. O amor.



Diário de Uma Tarde

   Oi. Tudo bem? Então, eu sei que o clima entre a gente anda meio pesado nos últimos dias. Sei também que não sou inocente nisso. Mas a gente pode tentar amenizar isso, o que acha? Sei que eu e você temos um imenso afeto um pelo outro. Mas que as brigas fazem parte do nosso dia-a-dia. E não sei qual de nós dois é o mais orgulhoso.
   O que você acha de tentarmos recomeçar? No começo era tudo tão melhor. Lembra? A gente ria mais, brincava mais, divertia mais, nos declarávamos mais. Não tínhamos tanto medo (ou vergonha, sei lá!) de olhar um no olho do outro e dizer. "Eu te amo."
   Pouco importava as consequências, o que viria depois. O agora era o mais importante. O amor era o mais importante. Lembra? Bom, se você lembra eu já não sei. Você é tão esquecido. Também, não faço muita questão que lembre (um pouco eu faço, sim.). Faço questão que tope.
   Vem comigo, vamos recomeçar. Vamos reaprender. Eu juro vou com você, eu não vou te abandonar. Prometo. A gente recomeça, a gente tenta fazer melhor, a gente tenta. A gente tenta!
   Eu sei que agora a confiança tá meio abalada e que a vontade de desistir está berrando dentro de você. Pode até parecer ironia eu te pedir mais um tempo. Só que nem tudo acontece quando a gente quer e por mais difícil que possa ser esperar, o amor espera. Concorda?
   Então, vai topar entrar nessa comigo? Vai deixar eu te pertencer até que os nossos dias se esgotem? Se não quiser, não precisa, tá? Mas vamos tentar, quem sabe!